Nos tempos em que eu era menino, as nossas brincadeiras eram bem mais saudáveis, podíamos correr nas ruas, pular dos barrancos, na beira do rio e rolar até a água, se arrastar por debaixo das canoas no porto onde os pescadores as deixavam, podíamos pular de galho em galho pelas arvores do quintal de Dona Madi, podíamos fazer cabanas de samambaia e brincar de cawboy e de índio, podíamos jogar bola na rua de terra o dia inteiro e só parar para almoçar e ou jantar, tomar banho e dormir. Quando ganhávamos um brinquedo que geralmente era um carrinho de plástico, pois ainda não tinham inventado os brinquedos a pilha, ou a bateria, nem a fricção, nem tampouco os de controle remoto, se já havia era uma possibilidade muito remota a nosso ver, tamanha era a nossa festa pois logo íamos para a rua, pegávamos a enxada, a arrastávamos na areia para fazer estradas e passávamos muitas horas puxando pra lá e pra cá fazendo com a boca o barulho dos motores dos carros.Quando ganhávamos um trocado, moeda era mais certo, corríamos logo pra vendinha do Sr Joanil para comprar Tubaína para tomar e comer bolo. Estudar era como ir ao cinema, ao parque, sempre nos gerava enorme expectativa e entusiasmo, cada letra e por conseqüência palavra aprendida era como aprender um universo.
O nosso contato com as meninas era mais inocente, alias não havia essa convivência tão acentuada entre meninos e meninas, como é agora. Tudo isso era muito divertido, cheio de vida, cheio de infância, de esperança. Podíamos dizer que éramos sim crianças com uma infância divertida. Então apareceu a bicicleta, a maneira com que aprendíamos a montar e a se equilibrar era tão fascinante que só hoje me dou conta de quanto maravilhoso foi essa conquista para as nossas vidas. E todas as marcas deixadas pelos tombos, hoje considero sinais de conquista e de uma vida livre, onde podíamos viver sem nenhum tipo de “medo”. Uma vida sem fronteiras era para nós naquele tempo, pois brincávamos de viver e vivíamos com imensa felicidade o que nos proporcionava uma saúde abundante, mesmo com a debilidade das situações financeiras, mesmo com tantos tabus sobre medicina, quando nossos pais ao sentirmos algum sintoma de mal estar logo corriam para a hortinha e lá pegavam algumas ervas, pra nos medicar. Hortelã, Puejo, Erva Santa Maria, Sorda, Erva de Bicho, Alecrim, Erva Doce, etc...tantas que nos faziam bem e nos curavam.
Certamente posso dizer que a infância daquele tempo era bem mais feliz e completa.
Heraldo.
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